Texto enviado pelo professor


 Esquema de comunicação de Roman Jakobson

 

 

Texto:

CHALHUB, Samira. Funções da linguagem. São Paulo: Ática, 1989. Série Princípios. 2a edição, 1989.

 

 

O modelo do lingüista Roman Jakobson (1896-1982).

 

 

 

Fática

                                                            CANAL

                                                             Manter o canal

 

 

                         Emotiva                                            Poética                                               Conativa

                           EMISSOR                 MENSAGEM                       RECEPTOR

                              quem, eu                               como, a mensagem                             para quem, tu

 

 

Referencial

                                                            REFERENTE

o quê;  ele, ela

 

 

                                                            Metalingüística

                                                            CÓDIGO

                                                Reflete sobre o próprio código

 

 

 

 

            A intenção da mensagem determina sua função, ou a ênfase em cada um dos fatores que a compõem. P. 7: “Linguagens estruturam-se em função do fator para o qual estão inclinadas.”

 

            Não há mensagem que utilize somente uma função; a mensagem está centrada em uma delas, enquanto as outras funções são acessórias. Uma função da linguagem torna-se predominante, caracterizando a mensagem, enquanto as outras dialogam com ela, subsidiariamente.

           

           

As funções da linguagem

A linguagem sempre varia de acordo com a situação, assumindo funções que levam em consideração o que se quer transmitir e que efeitos se espera obter com o que se transmite.

Ao analisar qualquer texto, qualquer imagem, pode-se perceber que suas linguagens funcionam para atingir um objetivo. Não há comunicação neutra. Há sempre um contexto, uma necessidade, uma situação pessoal determinando o que se diz, por intermédio de um discurso que pode ser informativo, autoritário, apelativo ou poético.

Deste modo, pode-se falar em funções da linguagem. Analisar as funções da linguagem nos textos alheios ajuda-nos a descobrir os objetivos que direcionaram sua elaboração. Aplicá-las aos nossos ajuda-nos a planejar melhor sua comunicabilidade e eficiência.

As funções da linguagem organizam-se em torno de um emissor (quem fala), que envia uma mensagem (referente) a um receptor (quem recebe), usando um código, que flui através de um canal (suporte físico). As funções da linguagem são as seguintes:

ü Referencial ou denotativa: seu objetivo é traduzir a realidade (referente), informando com máximo de clareza possível. Nos textos científicos e em alguns jornalísticos predomina essa função.

Em 1665¸ Londres é assolada pela peste negra (peste bubônica) que dizimou grande parte de sua população, provocando a quase total paralisação da cidade e acarretando o fechamento de repartições públicas, colégios etc. Como conseqüências desta catástrofe, Newton retornou a sua cidade natal, refugiando-se na tranqüila fazenda de sua família, onde permaneceu durante dezoito meses, até que os males da peste fossem afastados, permitindo seu regresso a Cambridge.

Este período passado no ambiente sereno e calmo do campo foi, segundo as palavras do próprio Newton, o mais importante de sua vida. Entregando-se totalmente ao estudo e à meditação, quando tinha apenas 23 a 24 anos de idade, ele conseguiu, nesta época, realizar muitas descobertas, desenvolvendo as bases de praticamente toda a sua obra.

(Antônio Máximo e Beatriz Alvarenga. In. Curso de Física. São Paulo: Harbra, 1992. v. 1, p. 196.)

ü Emotiva ou expressiva: o objetivo é expressar emoções, sentimentos, estados de espíritos. O que importa é o emissor, daí o registro em primeira pessoa.

Estou tendo agora uma vertigem. Tenho um pouco de medo. A que me levará minha liberdade? O que é isto que estou te escrevendo? Isto me deixa solitária.

(Clarrice Lispector)

ü Conativa ou apelativa: o objetivo é convencer o receptor a ter determinado comportamento, através de uma ordem, uma invocação, uma exortação, uma súplica, etc. Os anúncios publicitários abusam dessa linguagem. Os discursos autoritários também.

O arauto proclamou:

Meu estimado povo. Que as bênçãos de Deus, senhor todo-onipotente, desçam sobre vocês. Visando combater os gastos desnecessários e luxo. Visando dar igualdade geral ao país, com objetivo de eliminar invejas, rancores, entre irmãos, o Governo, em acordo com as fábricas de calçados, determinou que a partir deste momento será fabricado para toda a nação um só tipo de sapato, masculino e feminino. Fechado, liso e encontrável apenas na discreta e tão bonita cor preta. (Ignácio de Loylola Brandão)

ü Fática: o objetivo é apenas estabelecer, manter ou prolongar o contato (através do canal) com o receptor: As expressões usadas nos cumprimentos, ao telefone e em outras situações apresentam este tipo de função.

— Como vai, Maria?

— Vou bem. E você?

— Você vai bem, Maria?

— Já disse que sim!

— Eu também. Está tão bonita!”

— Ah, bem, é que eu…

— Ah, é.

(Dalton Trevisan)

ü Metalingüística: o objetivo é o uso do código para explicar o próprio código. A língua, por exemplo, é um código; os sinais de trânsito são outro. O livro didático de Língua Portuguesa analisa mecanismos da linguagem usando a própria linguagem. É o que acontece com textos que interpretam outros textos, com dicionários, com poemas que falam da poesia, etc.

ü Poética: o objetivo é dar ênfase à elaboração da mensagem. O emissor constrói seu texto de maneira especial, realizando um trabalho de seleção e combinação de palavras, de idéias ou de imagens, de sons e/ ou de ritmos. Explora-se bastante a conotação.

Não sinto o espaço que encerro

Nem as linhas que projeto

Se me olho a um espelho, erro —

Não me acho no que projeto

(Mário de Sá-Carneiro)


As funções da linguagem não existem isoladas em cada texto. Embora uma delas acabe predominando, elas convivem, mesclam-se, entrecruzam-se o tempo todo, obtendo-se de suas combinações os mais diferentes efeitos. No último exemplo, temos a combinação das funções poética e emotiva. Numa propaganda, por exemplo, combinam-se a função referencial (nas informações sobre o produto), a fática (texto, disposição na página, ilustrações, etc) e conativa (nos elementos de persuasão: “não dá pra não anunciar”).

Encaminhado pelo professor…

RUBEM ALVES
O aluno perfeito

Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação.

Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: “por que você não é como o Memorioso?”
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?” “Pode fazer”, disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas. Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?” Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos. Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a emoção…

(Folha de São Paulo 23.01.2007)

PLANO DISCIPLINAR

Curso: Sistemas de Informação – Ano Letivo: 2007 – Disciplina: Técnicas de Redação

Professora: Adriana Cristina Cristianini

Ementa:

Objetivos Gerais:

Desenvolver habilidades do estudante para analisar, sintetizar, criticar, estabelecer relações e fazer comparações; propiciar reflexões sobre a importância do domínio e adequação de uso da Língua Portuguesa, principalmente no âmbito profissional.

Avaliação:

AC: Sistema Integrado do Rendimento Acadêmico AD: Os alunos serão avaliados por meio de provas formais (em que o conteúdo estudado seja contemplado), trabalhos individuais e/ou em grupo.

1º Semestre

Sem.

Nº de

Aulas

Conteúdo

Objetivos

Estratégia (Sugestão)

1

2

- Apresentação do Professor, conteúdo programático da disciplina, critérios de avaliação e nota, referências bibliográficas.

- O contexto da comunicação no mercado de trabalho e a importância do desenvolvimento do hábito de leitura

Discutir a importância da leitura e da adequação lingüística para o profissional de Sistemas de Informação

Apresentar dados sobre a importância da leitura e do bom uso da Língua portuguesa no mercado de trabalho.

2

2

Língua, linguagem e comunicação: relações.

Diferenciar língua, linguagem e comunicação, estabelecendo relações entre cada um dos itens.

Discutir com os alunos sobre linguagem, língua, comunicação e seus usos. Fazer associação com linguagens utilizadas na informática.

3

2

Diferenças de língua falada e língua escrita

Apresentar textos construídos sob a orientação dessas duas modalidades

Discutir com os alunos as regras a serem respeitadas e mostrar o continuum existente entre as duas modalidades

4

2

Adequação lingüística.

Refletir sobre a diversidade lingüística e a importância do uso adequado em cada situação.

Discutir e exemplificar o uso adequado da linguagem; discutir as conseqüências do mau uso da língua na vida profissional.

6

4

Orientações para apresentação de trabalho acadêmico.

Possibilitar a aprendizagem das normas da ABNT para apresentação de trabalhos técnicos e acadêmicos.

Discutir com os alunos as normas para apresentação de trabalhos e/ou solicitar trabalho de pesquisa sobre o assunto (AD)

7

2

Conceito de texto: intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade e conectividade.

Conceituar texto e verificar os itens condicionantes de texto

Definir texto e apresentar textos, preferencialmente relacionados ao curso, em que se possa observar os elementos condicionantes de textualidade.

8

2

A importância da pontuação.

Destacar a importância da pontuação para a significação dos períodos.

Utilizando-se de textos mal pontuados, demonstrar a importância da comunicação e alguns problemas que podem ser gerados pela falta de usos desses sinais no texto escrito.

9

4

Regras de pontuação: vírgula

Propiciar condições para melhor uso de vírgulas em textos.

Propor exercícios, dos quais, durante a correção, abstrair-se-ão regras de uso da vírgula.

10

2

Dificuldades comuns no uso da língua: uso dos porquês; mau x mal; mas x mais; onde x aonde; se não x senão; eu x mim; este x esse; com nós x conosco; etc.

Discutir as dificuldades mais comuns no uso da língua, apresentar os usos adequados na norma culta.

Discutir com os alunos quais as dificuldades mais comuns no uso da língua; solicitar aos alunos que apresentem suas dificuldades para serem discutidas (dificuldades gramaticais).

11

2

Orientações para o trabalho semestral da disciplina

Discutir em classe os trabalhos e solicitar ao final da aula a entrega da primeira versão

Discutir critérios, solucionar dúvidas, fazer uma primeira análise em grupo.

12

2

Os textos e sua tipologia

Apresentar a tipologia textual, dando ênfase àqueles de maior circulação na área profissional

Apresentar textos, preferencialmente relacionados à área de estudo do curso, destacando as principais características dos principais tipos de texto.

13

4

A descrição; A linguagem descritiva em textos técnicos, comerciais, empresariais.

Discutir as características do texto descritivo

Apresentar as características da linguagem descritiva e seu uso em textos técnicos, comerciais, empresariais.

14

2

A narração em textos de comunicação empresarial; características da linguagem narrativa.

Discutir as características do texto narrativo

Apresentar as características da linguagem narrativa e seu uso em textos técnicos, comerciais, empresariais.

15

2

Dissertação; a linguagem dissertativa em textos técnicos, comerciais, empresariais.

Discutir as características do texto dissertativo

Apresentar as características da linguagem dissertativa e seu uso em textos técnicos, comerciais, empresariais.

16

2

Partes da dissertação.

Discutir as partes do texto dissertativo

Exemplificar com textos técnicos e elaborar produção coletiva de texto dissertativo

17

2

Defeitos do texto: ambigüidade; obscuridade; pleonasmo; cacofonia; eco; prolixidade.

Apresentar defeitos que não podem aparecer em textos

Apresentar defeitos que não podem aparecer em textos, exemplificando com textos técnicos, comerciais, empresariais.

18

2

Revisão

Revisão

Revisão

19

2

Prova AC

Prova

Prova

2º Semestre

Sem.

Nº de

Aulas

Conteúdo

Objetivos

Estratégia

21

2

Apresentação do plano a ser desenvolvido no semestre. Discussão dobre a importância da leitura e produção de textos

Apresentar o plano a ser desenvolvido no semestre; propiciar reflexão sobre a importância da habilidade de recepção e produção de textos.

Apresentação do plano a ser desenvolvido no semestre; discussão sobre a reflexão sobre a importância da habilidade de recepção e produção de textos.

22

2

As qualidades do texto: concisão; correção; clareza; elegância.

Apresentar qualidades importantes no texto

Apresentar qualidades importantes no texto, exemplificando com textos técnicos, comerciais, empresariais.

23

2

Defeitos do texto: ambigüidade; obscuridade; pleonasmo; cacofonia; eco; prolixidade.

Apresentar defeitos que não podem aparecer em textos

Apresentar defeitos que não podem aparecer em textos, exemplificando com textos técnicos, comerciais, empresariais.

24

2

Paragrafação e tópico frasal.

Demonstrar as características do parágrafo e a essencialidade do tópico frasal.

Discutir a importância de uma paragrafação adequada e localizar, em textos, preferencialmente técnicos, os tópicos frasais.

25

2

Estrutura do parágrafo: retomada de palavra-chave; por encadeamento; por divisão; por recorte; por salto; estruturas mistas.

Apresentar as diferentes formas de se estruturar um parágrafo

Apresentar, em textos formais, as diferentes maneiras de se estruturar parágrafos.

26

2

Coesão textual

Demonstrar a importância e as possibilidades de coesão textual

Utilizando textos coesos e não coesos, estabelecer a reflexão sobre a importância de forma de produzir textos coesos.

27

2

Coerência textual

Destacar a inquestionável importância da coerência textual, em textos tanto na modalidade escrita como oral

Demonstrar, por meio de textos, a incoerência; refletir sobre o quanto tal problema textual pode prejudicar o profissional na empresa, por exemplo; exercícios de análise e uso de coesão e coerência.

28

2

Resumo

Definir e exemplificar resumo

Utilizando texto, preferencialmente técnico, ilustrar resumo e diferenciar itens essenciais e assessórios do texto.

29

2

Tipos de resumo: fichamento, síntese, resenha.

Diferenciar tipos de resumo

Apresentar diferentes tipos de resumo

30

2

Resenha

Apresentar partes constantes na elaboração da resenha

Ilustrar para apresentar partes constantes na elaboração da resenha

31

2

Argumentação: procedimentos argumentativos; argumento de autoridade; argumento baseado no consenso; argumentos baseados em provas concretas; argumentos com base no raciocínio lógico; argumento por competência lingüística.

Destacar a importância da argumentação na rotina profissional e cotidiana; apresentar os diferentes procedimentos argumentativos e tipos de argumentação.

Retomando o discurso dissertativo, apresentar procedimentos e tipos de argumentação embasado na exemplificação com textos

32

2

Contra-argumentação.

Ressaltar o uso da contra-argumetação

Propor exercícios em que sejam trabalhados argumentação e contra-argumentação em textos formais.

33

2

Defeitos de argumentação

Apresentar defeitos que não podem aparecer numa argumentação a fim de não haja contra-argumentação.

Apresentar textos com falhas de argumentação e propor exercícios de solução dessas falhas.

34

4

Atividades de intelecção textual.

Desenvolver habilidade de compreensão e interpretação de textos

Propor exercícios de leitura e interpretação de textos, nos quais também podem ser trabalhados dissertação, argumentação e contra-argumentação.

35

2

Informações implícitas, pressupostos e subentendidos.

Desenvolver habilidades para uma leitura mais profunda do texto.

Propor exercícios de leitura e interpretação de textos, nos quais também podem ser trabalhados dissertação, argumentação e contra-argumentação.

36

2

Currículum Vitae.

Apresentar as qualidades e defeitos de um currículo.

Discutir a estrutura, as qualidades e os defeitos desse documento.

37

2

Redação comercial: carta comercial; ofício; circular; memorando

Apresentar os diferentes tipos e usos de documentos comerciais, administrativos e empresariais.

Apresentar e discutir características dos diferentes tipos e usos de documentos comerciais, administrativos e empresariais, exemplificando-os.

38

1

Correio eletrônico na comunicação oficial; telegrama.

idem

idem

39

2

Ata; requerimento; declaração.

idem

idem

40

2

Análise de textos comerciais e administrativos.

idem

idem

41

2

Revisão

Revisão

revisão

42

1

Prova AC

Prova

Prova

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bibliografia Básica

ANDRADE, M. M. de; HENRIQUES, A. Língua Portuguesa: noções básicas para cursos superiores. São Paulo: Atlas, 1999.

MEDEIROS, J. B. Correspondência: Técnicas de Redação Criativa. 18ª. Ed., São Paulo: Atlas, 2006.

MEDEIROS, J. B. Redação Empresarial. 4ª. Ed., São Paulo: Atlas, 2005.

Bibliografia Complementar

BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo: Ática, 2002.

CARNEIRO, A. D. Redação em Construção. São Paulo: Moderna, 2001.

FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1997.

FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2002.

GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2000.

KLEIMAN, A. Leitura: ensino e pesquisa. Campinas / São Paulo: Pontes, 2002.

MEDEIROS, J. B. Português instrumental para cursos de contabilidade, economia e administração. São Paulo: Atlas, 2000.

RIBEIRO, A. L. Redigindo com criatividade. São Paulo: Madras, 2002.

VANOYE, F. Usos da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

A história do gerente apressado

“Quem não escreve bem… perde o trem!”

Certa vez, um apressado gerente de uma grande empresa paulista precisava ir ao Rio de Janeiro para tratar de alguns negócios urgentes. Como tivesse muito medo de viajar de avião, o gerente deixou o seguinte bilhete para a sua recém-contratada secretária:

Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que você me rezerve, à noite, um lugar, no trem das 8 para o Rio.

Sabe o leitor o que aconteceu?

O gerente, simplesmente, perdeu o trem!

Por quê? Bem, acontece que Maria, a nova secretária, ao ler o bilhete, franziu a testa e, com uma cara desanimada e cheia de dúvidas, ficou pensando, pensando… até que finalmente decidiu: foi, à noite, à estação ferroviária e reservou um lugar, para o dia seguinte, no trem das 8 h da manhã. Cumprida a tarefa, Maria foi para casa, com um sorriso nos lábios e muita alegria na alma, contente por ter resolvido bem o primeiro problema em seu novo trabalho. Mas… a sua alegria ia durar pouco! Ao chegar ao emprego, no dia seguinte, a dedicada secretária teve a estranha impressão de estar vendo um fantasma diante de si: lá estava o gerente, tranqüilo, fumando o seu perfumado cachimbo e assinando papéis, em meio a lentas e gostosas baforadas.

Atônita, a secretária, como fulminada por um raio, desabou na cadeira, diante de sua mesa de trabalho. Depois, pouco a pouco, foi recobrando os sentidos e recuperando as cores do rosto, ao mesmo tempo em que ia disfarçando o mal-estar, arrumando papéis e limpando caprichosamente a mesa com um pano úmido.

─ Então, Maria, tudo certo com o trem das 8, hoje à noite? – perguntou o gerente.

─ Oi? – retrucou a secretária.

─ Estou perguntando se está tudo certo com o trem do Rio?

─ Oi? – repetiu Maria.

─ Que mania é essa de oi? Você não pode responder direito? Afinal, cadê a passagem? – retomou o já intrigado gerente, levantando a cabeça e encarando a enigmática moça.

─ Passagem? Mas que passagem? O senhor só pediu para reservar um lugar… Ah! Já ia esquecendo: o senhor não leve a mal, por favor, mas… reservar se escreve com s e não com z… – explicou Maria sorrindo e piscando muito os olhos.

─ Escute aqui moça: não preciso de suas lições. Sei muito bem como as palavras se escrevem! Seus comentários são perfeitamente dispensáveis. O que eu quero simplesmente é a minha passagem para o Rio, pode ser?

─ Não, infelizmente não pode ser, porque… reservar um lugar é uma coisa e comprar uma passagem já é outra bem diferente…

─ Como assim? Olhe aqui mocinha, ontem eu deixei um bilhete, pedindo para você me comprar uma passagem para o Rio, no trem das 8, de hoje à noite! Foi só isso que eu pedi. Mais claro do que isso é impossível!

─ Não seu gerente, não está nada claro! O senhor está completamente enganado! Não foi nada disso que o senhor escreveu! Veja aqui o seu bilhete, veja o que o senhor escreveu: o senhor me pede, aqui no bilhete, para reservar, à noite, um lugar no trem das 8 para o Rio, tá? E como o senhor deveria viajar no dia seguinte, então eu fiz exatamente o que o senhor mandou: fui à estação, à noite, e pedi uma reserva, para o dia seguinte, no trem das 8 da manhã para o Rio. Era só o senhor chegar hoje lá na estação, um pouquinho antes das 8, comprar a passagem, entrar no trem, dar uma boa cochilada no seu lugar ao lado da janela e acordar de cara com aquela lindeza, o Corcovado, as praias…ai aquilo é bom demais!

De pé, boquiaberto, pálido, o gerente deixou o cachimbo cair sobre os papéis espalhados na mesa.

─ Você vai é comprar essa passagem agora mesmo, no trem das 8 da noite para o Rio, antes que eu faça um estrago por aqui!

Mais que depressa, a secretária saltou sobre o telefone e ligou para a estação. Esforço inútil: o trem da noite estava lotado. Aí quem desabou foi o gerente:

─ Onde foi que eu errei? Me explique d. Maria. Será que eu escrevo tão mal assim? Meu bilhete está tão claro, tão simples… eu só pedi uma passagem no trem das 8 para o Rio e veja o que você me aprontou! Agora eu vou perder um dos nossos melhores clientes lá no Rio! Todo mundo na firma já está cansado de saber que eu não gosto de viajar de avião, que eu só viajo de trem noturno, que sempre me reservam uma cabina com leito, que eu adoro viajar em cabina com leito… Onde foi que eu errei? Posso saber?

─ Sim senhor, vou mostrar direitinho onde foi que o senhor errou: veja, seu gerente, pra começar eu não sabia que o senhor só gostava de viajar de trem, e ainda mais de trem noturno, em cabina com leito. No bilhete o senhor não disse nada disso.

─ Mas será que era preciso dizer mais alguma coisa? Estava tudo tão claro na minha cabeça… será que a sua cabeça é assim tão diferente da minha, que você não é capaz de entender uma idéia tão simples?

─ Bem, já que o senhor perguntou, então eu explico: nossas cabeças são sim muito diferentes uma da outra, aliás, não existem duas cabeças iguais nesse mundo; o senhor tem certas idéias na sua cabeça, eu tenho outras, o vizinho ao lado já tem outras bem diferentes, e assim por diante. Se a pessoa não explicar direitinho o que ela quer, ninguém vai adivinhar, porque os pensamentos não estão grudados na testa da gente, eles estão dentro da nossa cabeça e nós temos de saber colocar para fora essas idéias. O senhor, por exemplo, queria que eu comprasse uma passagem, para o Rio de Janeiro, no trem das 8 da noite, cabina com leito, não é mesmo? Mas acontece que o senhor não conseguiu passar essa idéia para a minha cabeça, porque, pelo seu bilhete, eu entendi outra coisa completamente diferente da que o senhor tinha na cabeça. Quer ver? Vamos começar por este trecho:

“(…) me rezerve, à noite, um lugar, (…)”

─ Bem, o senhor já sabe que reservar é com s, mas há erros mais graves aqui. Em primeiro lugar, se o senhor queria que eu comprasse uma passagem, o certo, então, era escrever “compre uma passagem”, ou “providencie uma passagem”! Segundo problema: o senhor não fala em cabina com leito, mas em lugar; ora, lugar é uma palavra que pode significar muitas coisas ao mesmo tempo: pode ser uma poltrona de 1ª ou 2ª classe, no meio ou na ponta do vagão, do lado da janela ou do corredor, e pode até ser uma cabina com leito, ou seja, há várias possibilidades. Terceiro problema, e este é de sintaxe…

─ Sintaxe? E eu vou lá me lembrar das regras dessa maldita análise lógica?

─ Não, seu gerente, sintaxe não trata só de análise lógica… sintaxe é a parte da gramática que cuida da ordem e das relações das palavras na frase, das relações entre as frases, entre os períodos, etc. Eu falo isso porque é minha obrigação saber um mínimo de gramática, senão pra que serve uma secretária que não conhece um pouco das regras da língua que usa? Então, como eu ia dizendo, a sintaxe do seu recado está bem ruim. Se o senhor observar bem o trecho que eu citei – “… me reserve, à noite, um lugar, …”- vai ver que a ordem das palavras e, principalmente, a posição das vírgulas dão um duplo sentido à frase. O senhor duvida? Então veja bem: como existe um aposto entre duas vírgulas (“, à noite, ”) separando a forma verbal reserve do objeto direto lugar, e como há uma segunda vírgula logo depois de lugar, o leitor do bilhete pode juntar reserve com à noite e pensar que, em vez de reservar um lugar noturno, o senhor, como autor do bilhete, mandou fazer a reserva depois do expediente de trabalho, ou seja, à noite. Pode até ser que a minha explicação seja confusa, mas eu vou fazer um esqueminha aqui no papel, pra ficar mais claro o que eu expliquei:

UM LUGAR À NOITE (= lugar noturno)

RESERVAR

À NOITE (= depois de encerrado o dia) → UM LUGAR

─ Entendeu agora, seu gerente? A frase tem dois sentidos. Minha cabeça foi pelo segundo sentido, por isto é que eu fui à noite à estação para reservar o lugar do senhor. Ah, e uma última falha ainda, para terminar. Me diga uma coisa: se o seu trem era o das 8 da noite, por que é que o senhor não escreveu logo: trem das 20 h? Com um bilhete assim, com tantas falhas de sintaxe, de pontuação de vocabulário e até de ortografia, o senhor não acha que muita confusão poderia ter sido evitada com essa simples indicação de horário?

——————————————————————————————————————————-

TEXTO EXTRAÍDO DE:

-BLIKSTEIN, Isidoro. Técnicas de comunicação escrita. SP, Ática, 1988, p. 5-12.

DEFININDO ALGUNS CONCEITOS

1) LINGUAGEM

A LINGUAGEM é um conjunto complexo de processos que torna possível a aquisição e o emprego concreto de uma língua qualquer. Ela é o resultado de certa atividade psíquica profundamente determinada pela vida em sociedade. Usa-se o termo também para designar todo sistema de sinais que serve de meio de comunicação entre os indivíduos. Desde que se atribua valor convencional a determinado sinal, existe uma LINGUAGEM. Ela é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas. Existem muitos tipos de linguagem: a fala, os gestos, o desenho, a pintura, a dança, o código Morse, a música, os sinais de trânsito, o código Braile, a linguagem dos surdos-mudos, etc. As linguagens podem ser divididas em dois grupos: a linguagem verbal, modelo básico da maioria das demais, e as linguagens não verbais. A linguagem verbal é aquela que tem por unidade a palavra; as linguagens não-verbais possuem outros tipos de unidade, como o gesto, o som, a imagem, o movimento. Existem também as linguagens mistas, que combinam unidades próprias de diferentes linguagens. Nas histórias em quadrinhos, por exemplo, a linguagem geralmente é mista, pois elas contêm imagens e palavras.

2) LÍNGUA

A LÍNGUA é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos. Ela é a expressão da consciência de uma coletividade e o meio através do qual essa coletividade concebe o mundo que a cerca e sobre ele age. A LÍNGUA é a utilização social da faculdade da linguagem, e por ser uma criação da sociedade, ela é mutável, ou seja, vive em constante evolução, paralelamente a evolução do próprio organismo social que a criou. A língua é um código de que se serve o homem para elaborar mensagens, para se comunicar e interagir com outras pessoas. Assim, quanto maior o domínio que temos da língua, maiores são as possibilidades de termos um desempenho lingüístico e comunicativo eficiente. A língua pertence a todos os membros de uma comunidade. Como ela é um código aceito convencionalmente, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. A fala, entretanto, é sempre individual e seu uso depende da vontade do falante.

Nem a língua nem a fala são imutáveis. A língua evolui transformando-se historicamente.

3) FALA

FALA é a língua no ato da execução individual. E, como cada indivíduo tem em si um ideal lingüístico, cada pessoa procura extrair do sistema idiomático de que se serve, as formas de enunciado que melhor lhe exprimam o gosto e o pensamento. Essa escolha entre os diversos meios de expressão que lhe oferece o rico repertório de possibilidades, que é a língua, denomina-­se estilo.

A distinção entre LINGUAGEM, LÍNGUA e DISCURSO, indispensável do ponto de vista metodológico, não deixa de ser em parte artificial. Em verdade, as três denominações aplicam-se a aspectos diferentes, mas não opostos, do fenômeno extremamente complexo que é a comunicação humana.

4) VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA

Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está sujeita a muitas variações as quais, sinteticamente, podem ser:

de época para época: o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje. Repare que em algumas obras literárias encontramos palavras como “cousa”, “pharmácia”, “bêbedo”, etc.

de região para região: o carioca, o baiano, o paulista e o gaúcho falam de maneiras nitidamente distintas, observadas pelo emprego de palavras diferentes para dar nomes a alguns objetos, plantas, situações e também pela articulação fonética.

de grupo social para grupo social: pessoas com um nível de escolaridade maior conseqüentemente empregam a língua de uma forma considerada mais “culta” em relação àqueles que nunca freqüentaram uma escola. Aqui também encontramos a fala muito peculiar dos grupos de pessoas que compartilham os mesmos gostos, lugares, idéias, como a fala dos surfistas, dos roqueiros, dos que apreciam o funk, etc.; aqui entramos em contato com as gírias que, em determinadas situações, devem ser usadas com mais cuidado independentemente do grupo do qual fazemos parte.

de situação para situação: cada uma das variantes pode ser falada com mais cuidado e vigilância (a fala formal) ou de modo mais espontâneo e menos controlado (a fala informal). Um executivo, por exemplo, pode fazer uso da linguagem formal em seu ambiente de trabalho tendo em vista as pessoas com quem se relaciona, mas esse mesmo executivo pode fazer uso da linguagem informal se estiver com amigos numa conversa despreocupada e divertida.

Diante de tantas variantes lingüísticas, é possível que alguém pergunte qual delas é a correta. A resposta para esta pergunta é que não existe a mais correta em termos absolutos, mas sim, a mais adequada para cada contexto em que nos encontramos. Dessa maneira, fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida.

Usar o português rígido, próprio da língua escrita formal, numa situação descontraída, da comunicação oral, é falar de modo inadequado. Soa como pretensioso, pedante, artificial. Por outro lado, é inadequado em situação formal usar gírias termos chulos, desrespeitosos. Usar a língua é parecido com vestir-se: assim como existe uma roupa adequada para cada situação, também existe uma variedade lingüística adequada a cada situação.

Como surgiu a Internet?

A Internet nasceu praticamente sem querer. Foi desenvolvida nos tempos remotos da Guerra Fria com o nome de ArpaNet para manter a comunicação das bases militares dos Estados Unidos, mesmo que o Pentágono fosse riscado do mapa por um ataque nuclear.

Quando a ameaça da Guerra Fria passou, a ArpaNet tornou-se tão inútil que os militares já não a consideravam tão importante para mantê-la sob a sua guarda e, assim, permitiram o acesso aos cientistas que, mais tarde, cederam a rede para as universidades, que, sucessivamente, compartilharam a rede com as universidades de outros países, permitindo que pesquisadores domésticos a acessassem, até que mais de 5 milhões de pessoas já estavam conectadas com a rede e, para cada nascimento, mais 4 se conectavam com a imensa teia da comunicação mundial.

Nos dias de hoje, não é mais luxo ou simples questão de opção uma pessoa utilizar e dominar o manuseio e serviços disponíveis na Internet, pois a mesma é considerada o maior sistema de comunicação desenvolvido pelo homem.

Com o surgimento da World Wide Web, esse meio foi enriquecido. O conteúdo da rede ficou mais atraente com a possibilidade de incorporar imagens e sons. Um novo sistema de localização de arquivos criou um ambiente em que cada informação tem um endereço único e pode ser encontrada por qualquer usuário da rede.

Em síntese, a Internet é um conjunto de redes de computadores interligadas que tem em comum um conjunto de protocolos e serviços, de uma forma que os usuários conectados possam usufruir serviços de informação e comunicação de alcance mundial.

Histórico

Desenvolvida pela empresa ARPA (Advanced Research and Projects Agency) em 1969, com o objetivo de conectar os departamentos de pesquisa e foi batizada com o nome de ARPANET.

Antes da ARPANET, já existia outra rede que ligava estes departamentos de pesquisa e as bases militares, mas como os EUA estavam em plena guerra fria, e toda a comunicação desta rede passava por um computador central que se encontrava no Pentágono, sua comunicação era extremamente vulnerável.

Se a antiga URSS resolvesse cortar a comunicação da defesa americana, bastava lançar uma bomba no Pentágono, e esta comunicação entrava em colapso, tornando os Estados Unidos extremamente vulnerável a mais ataques.

A ARPANET foi desenvolvida exatamente para evitar isto. Com um backbone que passava por baixo da terra (o que o tornava mais difícil de ser interrompido), ela ligava os militares e pesquisadores sem ter um centro definido ou mesmo uma rota única para as informações, tornando-se quase indestrutível.

Na década de 70, as universidades e outras instituições que faziam trabalhos relativos à defesa tiveram permissão para se conectar à ARPANET. Em 1975, existiam aproximadamente 100 sites. Os pesquisadores que mantinham a ARPANET estudaram como o crescimento alterou o modo como as pessoas usavam a rede. Anteriormente, os pesquisadores haviam presumido que manter a velocidade da ARPANET alta o suficiente seria o maior problema, mas na realidade a maior dificuldade se tornou a manutenção da comunicação entre os computadores (ou interoperação).

No final dos anos 70, a ARPANET tinha crescido tanto que o seu protocolo original de comutação de pacotes, chamado de Network Control Protocol (NCP), tornou-se inadequado. Em um sistema de comutação de pacotes, os dados a serem comunicados são divididos em pequenas partes e essas partes são identificadas de forma a mostrar de onde vieram e para onde devem ir, assim como os cartões-postais no sistema postal. Assim também como os cartões-postais, os pacotes possuem um tamanho máximo, e não são necessariamente confiáveis. Os pacotes são enviados de um computador para outro até alcançarem o seu destino. Se algum deles for perdido, ele poderá ser reenviado pelo emissor original. Para eliminar retransmissões desnecessárias, o destinatário confirma o recebimento dos pacotes.

Depois de algumas pesquisas, a ARPANET mudou do NCP para um novo protocolo chamado TCP/IP (Transfer Control Protocol/Internet Protocol) desenvolvido em UNIX. A maior vantagem do TCP/IP era que ele permitia (o que parecia ser na época) o crescimento praticamente ilimitado da rede, além de ser fácil de implementar em uma variedade de plataformas diferentes de hardware de computador.

Histórico da Internet no Brasil

A história da Internet no Brasil começou bem mais tarde (somente em 1991) com a RNP (Rede Nacional de Pesquisa), uma operação acadêmica subordinada ao MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia).

Em 1994, no dia 20 de dezembro é que a EMBRATEL lança o serviço experimental a fim de conhecer melhor a Internet. Somente em 1995 é que foi possível, pela iniciativa do Ministério das Telecomunicações e Ministério da Ciência e Tecnologia, a abertura ao setor privado da Internet para exploração comercial da população brasileira.

Fonte: www.cosmo.com.br – Kellen Cristina Bogo.