Téc. Redação


2) Casamento de classe média

Noivos: Suzana e Nestor

Espaço: igreja repleta de convidados

Cena: encaminhamento normal da cerimônia até a hora do “sim”.

Nestor diz sim. Todavia quando chega a vez de Suzana, esta se levanta, encara as pessoas e diz: “Gente, eu pensei e não vai dar. Não quero me casar.”

Pânico geral. Burburinhos, gestos descontrolados. Os convidados se agitam.

A mãe do noivo desmaia… 

1) Considerando onível de linguagem, escreva o comentário que provavelmente eles fizeram:

padre - minha filha, aconselho a refletir melhor.

amiga fofoqueira – Bem que suspeitei que eles não se entendiam, outro dia ouvi um boato…

jornalista (feminista radical) – Esta conseguiu se salvar. Uma a menos no tanque.

casal de namorados adolescentes – Que radical, saca só a mina.

avô de Nestor (de moral intransigente) – É  um absurdo, como vou ficar diante da sociedade? Por que será que ela resolveu fazer uma coisa destas?

Marli, sobrinha da noiva (10 anos) – A tia Marli não vais casar mais com o tio Nestor? Por que?

Marcos, padrinho do noivo (político) - Não se desesperem, assim que a comoção se anuviar, haverá sim, coalizão familiar.

Dr. Pimentel, padrinho da noiva (advogado) – Datavênia, parece que perdi uma causa…

Exercício

1) Reelabore o diálogo abaixo, usando o nível formal

- Ô meu, vê se não me deixa numa furada.Essa de pagar mico a toda hota já tá me azucrinando todo, e mais, no arrasta pé das minas lá no morro, não vai aprontar pra cima de mim.

- Podes crer irmão! Não vou deixar a peteca cair e nem dar mancada.O lance é o seguinte: a amizade aqui vai sacar uma mina que é um estouro e você vai ficar babando!

- João, não me envolva em situações difíceis. Não me deixe passar vergonha, você está me incomodando.No baile das meninas, por favor não crie problemas para mim.

- Com certeza Pedro. Não vou desisir nem decepcionar. O fato é o seguinte, vou cortejar uma garota linda e você vai ficar deslumbrado.

Funções da Linguagem

Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se necessário o estudo dos elementos da comunicação.

Elementos da comunicação

emissor – emite, codifica a mensagem

receptor – recebe, decodifica a mensagem

mensagem – conteúdo transmitido pelo emissor

código – conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem

referente – contexto relacionado a emissor e receptor

canal – meio pelo qual circula a mensagem

Obs.: as atitudes e reações dos comunicantes são também referentes e exercem influência sobre a comunicação

Funções da linguagem

Função emotiva (ou expressiva)

centralizada no emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela prevalece a 1ª pessoa do singular, interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor.

Função referencial (ou denotativa)

centralizada no referente, quando o emissor procura oferecer informações da realidade. Objetiva, direta, denotativa, prevalecendo a 3ª pessoa do singular. Linguagem usada nas notícias de jornal e livros científicos.

Função apelativa (ou conativa)

centraliza-se no receptor; o emissor procura influenciar o comportamento do receptor. Como o emissor se dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você, ou o nome da pessoa, além dos vocativos e imperativo. Usada nos discursos, sermões e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor.

Função fática

centralizada no canal, tendo como objetivo prolongar ou não o contato com o receptor, ou testar a eficiência do canal. Linguagem das falas telefônicas, saudações e similares.

Função poética

centralizada na mensagem, revelando recursos imaginativos criados pelo emissor. Afetiva, sugestiva, conotativa, ela é metafórica. Valorizam-se as palavras, suas combinações. É a linguagem figurada apresentada em obras literárias, letras de música, em algumas propagandas etc.

Função metalingüística

centralizada no código, usando a linguagem para falar dela mesma. A poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, um texto que comenta outro texto. Principalmente os dicionários são repositórios de metalinguagem.

Obs.: Em um mesmo texto podem aparecer várias funções da linguagem. O importante é saber qual a função predominante no texto, para então defini-lo.

Trabalho semestral em grupo

Data para entregar o trabalho: 03/05/2007.

Data para prova A/D: 10/05/2007.

* Livro: “Técnicas de Redação Escrita” – Blikstein

O grupo deverá ler o livro e fazer uma sítese da obra atrelando o tema abordado por Blikstein às tecnologias atuais no que diz respeito à cominicação, principalmente sua impostância no ambiente profissional.

* O trabalho deverá ter a formatação de uma monografia segundo as normas da ABNT. (veja aqui)

Avaliação = conteúdo do trabalho + formatação correta.

Data para entregar o trabalho: 03/05/2007.

Elementos básicos da comunicação

 

Emissor (quem)

Receptor (para quem)

Mensagem (algo a transmitir)

Canal (forma como a mensagem é transmitida.) Ex. ar, papel, aparelho de telefone.

Código (linguagem, código morse, etc)

Referente (assunto geral da menssagem)

 

 

 Esquema de comunicação de Roman Jakobson

 

 

Texto:

CHALHUB, Samira. Funções da linguagem. São Paulo: Ática, 1989. Série Princípios. 2a edição, 1989.

 

 

O modelo do lingüista Roman Jakobson (1896-1982).

 

 

 

Fática

                                                            CANAL

                                                             Manter o canal

 

 

                         Emotiva                                            Poética                                               Conativa

                           EMISSOR                 MENSAGEM                       RECEPTOR

                              quem, eu                               como, a mensagem                             para quem, tu

 

 

Referencial

                                                            REFERENTE

o quê;  ele, ela

 

 

                                                            Metalingüística

                                                            CÓDIGO

                                                Reflete sobre o próprio código

 

 

 

 

            A intenção da mensagem determina sua função, ou a ênfase em cada um dos fatores que a compõem. P. 7: “Linguagens estruturam-se em função do fator para o qual estão inclinadas.”

 

            Não há mensagem que utilize somente uma função; a mensagem está centrada em uma delas, enquanto as outras funções são acessórias. Uma função da linguagem torna-se predominante, caracterizando a mensagem, enquanto as outras dialogam com ela, subsidiariamente.

           

           

As funções da linguagem

A linguagem sempre varia de acordo com a situação, assumindo funções que levam em consideração o que se quer transmitir e que efeitos se espera obter com o que se transmite.

Ao analisar qualquer texto, qualquer imagem, pode-se perceber que suas linguagens funcionam para atingir um objetivo. Não há comunicação neutra. Há sempre um contexto, uma necessidade, uma situação pessoal determinando o que se diz, por intermédio de um discurso que pode ser informativo, autoritário, apelativo ou poético.

Deste modo, pode-se falar em funções da linguagem. Analisar as funções da linguagem nos textos alheios ajuda-nos a descobrir os objetivos que direcionaram sua elaboração. Aplicá-las aos nossos ajuda-nos a planejar melhor sua comunicabilidade e eficiência.

As funções da linguagem organizam-se em torno de um emissor (quem fala), que envia uma mensagem (referente) a um receptor (quem recebe), usando um código, que flui através de um canal (suporte físico). As funções da linguagem são as seguintes:

ü Referencial ou denotativa: seu objetivo é traduzir a realidade (referente), informando com máximo de clareza possível. Nos textos científicos e em alguns jornalísticos predomina essa função.

Em 1665¸ Londres é assolada pela peste negra (peste bubônica) que dizimou grande parte de sua população, provocando a quase total paralisação da cidade e acarretando o fechamento de repartições públicas, colégios etc. Como conseqüências desta catástrofe, Newton retornou a sua cidade natal, refugiando-se na tranqüila fazenda de sua família, onde permaneceu durante dezoito meses, até que os males da peste fossem afastados, permitindo seu regresso a Cambridge.

Este período passado no ambiente sereno e calmo do campo foi, segundo as palavras do próprio Newton, o mais importante de sua vida. Entregando-se totalmente ao estudo e à meditação, quando tinha apenas 23 a 24 anos de idade, ele conseguiu, nesta época, realizar muitas descobertas, desenvolvendo as bases de praticamente toda a sua obra.

(Antônio Máximo e Beatriz Alvarenga. In. Curso de Física. São Paulo: Harbra, 1992. v. 1, p. 196.)

ü Emotiva ou expressiva: o objetivo é expressar emoções, sentimentos, estados de espíritos. O que importa é o emissor, daí o registro em primeira pessoa.

Estou tendo agora uma vertigem. Tenho um pouco de medo. A que me levará minha liberdade? O que é isto que estou te escrevendo? Isto me deixa solitária.

(Clarrice Lispector)

ü Conativa ou apelativa: o objetivo é convencer o receptor a ter determinado comportamento, através de uma ordem, uma invocação, uma exortação, uma súplica, etc. Os anúncios publicitários abusam dessa linguagem. Os discursos autoritários também.

O arauto proclamou:

Meu estimado povo. Que as bênçãos de Deus, senhor todo-onipotente, desçam sobre vocês. Visando combater os gastos desnecessários e luxo. Visando dar igualdade geral ao país, com objetivo de eliminar invejas, rancores, entre irmãos, o Governo, em acordo com as fábricas de calçados, determinou que a partir deste momento será fabricado para toda a nação um só tipo de sapato, masculino e feminino. Fechado, liso e encontrável apenas na discreta e tão bonita cor preta. (Ignácio de Loylola Brandão)

ü Fática: o objetivo é apenas estabelecer, manter ou prolongar o contato (através do canal) com o receptor: As expressões usadas nos cumprimentos, ao telefone e em outras situações apresentam este tipo de função.

— Como vai, Maria?

— Vou bem. E você?

— Você vai bem, Maria?

— Já disse que sim!

— Eu também. Está tão bonita!”

— Ah, bem, é que eu…

— Ah, é.

(Dalton Trevisan)

ü Metalingüística: o objetivo é o uso do código para explicar o próprio código. A língua, por exemplo, é um código; os sinais de trânsito são outro. O livro didático de Língua Portuguesa analisa mecanismos da linguagem usando a própria linguagem. É o que acontece com textos que interpretam outros textos, com dicionários, com poemas que falam da poesia, etc.

ü Poética: o objetivo é dar ênfase à elaboração da mensagem. O emissor constrói seu texto de maneira especial, realizando um trabalho de seleção e combinação de palavras, de idéias ou de imagens, de sons e/ ou de ritmos. Explora-se bastante a conotação.

Não sinto o espaço que encerro

Nem as linhas que projeto

Se me olho a um espelho, erro —

Não me acho no que projeto

(Mário de Sá-Carneiro)


As funções da linguagem não existem isoladas em cada texto. Embora uma delas acabe predominando, elas convivem, mesclam-se, entrecruzam-se o tempo todo, obtendo-se de suas combinações os mais diferentes efeitos. No último exemplo, temos a combinação das funções poética e emotiva. Numa propaganda, por exemplo, combinam-se a função referencial (nas informações sobre o produto), a fática (texto, disposição na página, ilustrações, etc) e conativa (nos elementos de persuasão: “não dá pra não anunciar”).

Identifique, nos textos abaixo, a variante linguística utilizada (culta, popular, regional, gíria..):

a) “Mainha, eles vieram me buscar e eu preciso me escafedê. Aqueles jagunço mataram tudo que era cabra…”

Resposta: Variante Regional.

b) “-Saquei. Você está pensando que nós dois, no meio do mato, pode pintar um lance. Mas qualé, xará! Não tem disso não. Está em falta. Oi gatona.”

Resposta: Variante gíria.

c) “O Capitão-General apareceu finalmente na sacada central do paço, e os olhos do povo e dos sobrados se voltaram para o palácio. O seu melhor uniforme, trespassado de bandas, coberto de dourados e veneras, reluzia.”

Resposta: Variante culta ou formal.

d) Me traz um copo d’água rapidinho que eu estou morrendo de sede. A gente correu muito para chegar aqui, o carro pifou lá perto da mercearia.”

Resposta: Variante popular ou informal.

e) “-Te deita no divã, thcê! – disse o analista de Bajé – Pra quê? – quis saber o paciente, desconfiado. – Oigalê bicho bem xucro – disse o analista com uma risada agradável, enquanto torcia o braço do outro e obrigava-o a se deitar.”

Resposta: Variante regional.

Linguagem, língua e fala.

Linguagem –> Verbal – palavra (fala/escrita)

–> Não verbal – (farol, despertador, buzina)

Mista – verbal e não verbal juntas -  (gibi, propaganda).

Língua – código / mutável / social

Fala – indivíduo / mutável

Variantes linguísticas 

    Social – escolaridade / gíria / jargão

Regional

Histórica

A forma de falar é livre, não existe certo nem errado.

Encaminhado pelo professor…

RUBEM ALVES
O aluno perfeito

Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação.

Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: “por que você não é como o Memorioso?”
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?” “Pode fazer”, disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas. Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?” Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos. Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a emoção…

(Folha de São Paulo 23.01.2007)

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